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Curto e Profundo

Rayman Assunção

Às vezes é preciso chutar o pau da barraca

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Às vezes, é preciso chutar o pau da barraca. Não por rebeldia gratuita, nem por orgulho ferido, mas porque há momentos na vida em que insistir em certos ambientes, projetos ou convivências se transforma em desgaste, perda de energia e, pior ainda, apagamento da própria voz. Quando alguém percebe que já não se encaixa mais, que tudo o que faz é ignorado, minimizado ou tratado com indiferença, é sinal de que algo essencial precisa mudar.

Ficar onde não há ouvido para o que se diz ou valor para o que se entrega é como tentar acender uma fogueira com gravetos molhados: exige esforço, dói e, no fim, não produz luz alguma. Muitas vezes, o problema não está na pessoa que se dedica, que sonha, que se entrega; está no ambiente marcado por desleixo, preguiça e acomodação. E nenhum propósito floresce onde o solo é negligenciado.

Por isso, abandonar certos lugares não é derrota. É coragem. É lucidez. É a capacidade de reconhecer que a vida é curta demais para ser desperdiçada em espaços que não acolhem, não valorizam e não crescem. Chutar o pau da barraca, nesse sentido, significa romper com o ciclo que suga energia e não devolve nada. É dar um basta digno, firme e necessário.

Quando alguém se permite esse movimento, abre espaço para que novas portas se revelem. É na saída de um lugar sufocante que a respiração volta a ser leve; é no abandono do que já não faz sentido que nasce a chance de descobrir novas oportunidades, novas pessoas e novos caminhos onde, finalmente, sua voz encontra eco e seu valor é reconhecido.

A vida pede coragem para ficar, mas também pede coragem para partir. E, às vezes, partir é o gesto mais sábio, mais honesto e mais libertador que alguém pode ter.

Preços dos planos

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