Penso e Falo
Rayman Assunção
Fico indiferente diante das indiferenças. Não me humilho
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Olá!
Às vezes eu olho para certas situações da vida e percebo que a indiferença dos outros já não me atinge como antes. Não é frieza, não é orgulho, não é fuga. É maturidade. Cheguei num ponto em que simplesmente não me dobro diante da falta de atenção, de respeito ou de consideração. Eu fico indiferente diante das indiferenças — e isso não é desprezo, é proteção. É um cuidado silencioso que faço comigo mesmo.
Por muito tempo, eu tentei ser visto, notado, acolhido. Tentava agradar, explicar, justificar, me encaixar. Hoje não mais. Aprendi que humilhação é uma escolha, e eu decidi não escolhê-la. Quando alguém me ignora, eu apenas sigo. Quando não valorizam o que faço, eu continuo fazendo. Quando fingem que não percebem meu esforço, eu não me desgasto tentando provar nada. A vida é curta demais para gastar energia tentando convencer quem não quer enxergar.
Não me entenda mal: eu continuo acreditando no diálogo, na reconciliação e no respeito. Mas também acredito que existe uma dignidade interior que ninguém pode arrancar da gente — a menos que a gente entregue. Eu não entrego mais. Eu já me curvei demais para caber em espaços que não eram meus. Já forcei demais para merecer atenção de quem nunca quis oferecê-la. Hoje eu me movo com mais firmeza, mais fé e mais consciência do meu valor.
Quando eu digo que fico indiferente, não é apatia. É sabedoria. É entender que cada gesto de desprezo dos outros diz mais sobre eles do que sobre mim. É reconhecer que minha paz vale mais que qualquer disputa por reconhecimento. E é, sobretudo, confiar que Deus me vê quando ninguém mais vê. Que Ele sabe do meu esforço, da minha verdade e do meu coração.
Não me humilho porque não preciso. Não ajoelho diante de expectativas alheias. Não me diminuo para caber em rótulos apertados. Eu sigo de pé, mesmo quando não aplaudem, mesmo quando não notam, mesmo quando tentam me empurrar para a sombra. Minha identidade não depende da aprovação de ninguém.
Se tem algo que aprendi na vida é isso: a indiferença dos outros só tem força quando eu dou importância. Quando eu retiro essa importância, ela evapora. E aí, finalmente, eu caminho leve. Com a cabeça erguida. Com a alma em paz. Com a certeza de que não preciso me humilhar para continuar sendo quem sou.





