Penso e Falo
Rayman Assunção
Falo pouco com quem nunca quer perder a razão
Ouça o texto
Olá!
Eu falo pouco. E não é timidez, nem falta de assunto. É escolha. Aprendi, com o tempo, que nem toda conversa merece continuidade. Principalmente quando percebo que estou diante de alguém que nunca quer perder a razão. A famosa pessoa sabichona. Aquela que não escuta, apenas espera a vez de falar. Aquela que, mesmo errada, dobra a aposta para não admitir o erro.
Com esse tipo de gente, eu não estico conversa. Não entro em disputa de argumentos, não levanto a voz, não tento convencer. Simplesmente reduzo. Encerramento educado, resposta curta, silêncio estratégico. Porque insistir é gastar energia onde não há abertura. E energia, para mim, é coisa séria.
Existe uma diferença enorme entre dialogar e disputar. Dialogar exige humildade. Disputa exige ego. O sabichão não quer aprender, quer vencer. Não quer verdade, quer ter razão. E quando a conversa vira um ringue, eu me retiro. Não por fraqueza, mas por maturidade. Quem precisa provar o tempo todo que está certo já perdeu faz tempo.
Eu aceito o erro. Corrijo o rumo quando percebo que falhei. Isso não me diminui, me fortalece. Mas há pessoas que tratam o erro como humilhação. Para elas, admitir que estão erradas é uma ameaça à própria identidade. Com esse perfil, qualquer conversa vira um beco sem saída. E eu não fico parado em becos.
Prefiro o silêncio a uma conversa inútil. Prefiro gastar minhas palavras com quem sabe ouvir, ponderar, refletir. Gente que entende que mudar de ideia não é fraqueza, é inteligência. Gente que não confunde opinião com verdade absoluta. Com essas pessoas, eu falo. E falo bem.
O sabichão suga energia. Ele cansa, desgasta, confunde. Sai-se da conversa pior do que entrou. E eu aprendi a prestar atenção nisso. Se, depois de alguns minutos, percebo que estou falando com alguém fechado, arrogante, impermeável à realidade, eu encerro. Não discuto, não ironizo, não confronto. Apenas sigo.
Falar pouco, nesses casos, é uma forma de respeito comigo mesmo. Não devo explicações eternas a quem não quer compreender. Não devo argumentos a quem já decidiu que está certo. Minha paz vale mais do que qualquer debate vazio.
No fim das contas, silêncio também é posicionamento. Escolher com quem conversar é sinal de sabedoria. E eu escolho não gastar minhas palavras — nem minha energia — com quem nunca admite estar errado.





