Penso e Falo
Rayman Assunção
Como Cristo pediu, rezemos pelos nossos inimigos
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Olá!
Quando eu olho para as palavras de Cristo — “amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” — eu percebo que Ele não estava lançando um ideal bonito, mas propondo um exame duro do meu próprio coração. Falar de amor é fácil; amar quem me fere é outra história. E, no entanto, é justamente aí que minha fé é provada. Não é no conforto do que já me agrada, mas no confronto com o que me incomoda.
Muita gente pensa que rezar pelos inimigos é sinal de fraqueza, de passividade, quase uma espécie de covardia espiritual. Eu vejo o contrário. Para mim, rezar por quem me machuca é um ato de força interior. É quando assumo que não quero ser moldado pelo ressentimento. Eu me recuso a deixar que o ódio dos outros defina minhas escolhas, minha paz e meu caminho. Cristo não pediu para eu aplaudir injustiças; pediu para eu não me tornar igual aos injustos.
E, sinceramente, eu já tentei guardar rancor. Já tentei “deixar pra lá”, como se engolir a mágoa fosse suficiente. Mas percebi que o coração não esquece sozinho. Ele só cicatriza quando eu deixo a luz de Deus entrar. E rezar pelos inimigos é justamente abrir essa fresta. É colocar diante de Deus não apenas minha dor, mas também aquela pessoa que, por algum motivo, preferiu ferir. Às vezes, rezar assim dói mais do que a própria ofensa. Mas é uma dor que cura.
Eu não rezo esperando que o inimigo vire meu amigo. Não rezo para que ele me peça perdão. Rezo para que Deus o toque, o transforme e, sobretudo, para que meu coração não endureça. Porque, se eu permitir que ele endureça, quem sai derrotado sou eu. E Cristo sabe disso. Ele não quer que eu viva acorrentado ao que me feriu.
No fundo, quando rezo pelos meus inimigos, eu declaro para mim mesmo que o mal não vai me conduzir. Declaro que a graça de Deus é maior que qualquer afronta. E faço isso não porque sou melhor que ninguém, mas porque acredito que a oração é o único caminho para manter minha alma de pé.
Por isso, quando Cristo pede que eu reze pelos inimigos, eu entendo que Ele está me libertando. Libertando do rancor, da vingança, do peso que não preciso carregar. E, no final das contas, essa oração que parece tão difícil é justamente a que mais me devolve a paz.





