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MÚSICA

"Paciência" em um Mundo Acelerado: a Urgência de Resgatar o Tempo Humano.

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Dissertação da canção "Paciência", de Lenine.
Dissertação por Rayman Assunção.

A canção “Paciência”, de Lenine, é uma reflexão lúcida e profundamente atual sobre o ritmo da vida contemporânea e o esgotamento humano provocado pela pressa constante. A letra constrói um contraste claro entre o tempo interior do indivíduo — que pede calma, alma e sentido — e o tempo exterior do mundo moderno, que acelera, cobra produtividade e normaliza o desequilíbrio.

Logo no início, o compositor apresenta o conflito central: “Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma… a vida não para”. Há aqui uma tensão permanente entre a necessidade humana de pausa e a lógica social que rejeita qualquer desaceleração. O corpo e a alma dão sinais de cansaço, mas o sistema exige continuidade, desempenho e rapidez. Lenine não romantiza essa condição; ele a denuncia com sobriedade.

Ao afirmar “eu me recuso, faço hora, vou na valsa”, o eu lírico assume uma postura quase subversiva. Recusar a pressa é um ato de resistência. A “valsa”, com seu ritmo lento e compassado, simboliza a escolha consciente por um tempo mais humano, mais atento e mais sensível. É uma crítica direta à cultura da urgência, que transforma a vida em uma corrida sem reflexão.

Outro ponto central da letra é a normalização do caos: “enquanto todo mundo espera a cura do mal / e a loucura finge que isso tudo é normal”. Aqui, Lenine aponta para uma sociedade adoecida que se acostumou ao excesso, ao estresse e à superficialidade, tratando sintomas profundos como se fossem inevitáveis. A paciência, nesse contexto, deixa de ser virtude e passa a ser fingimento — um mecanismo de sobrevivência.

O refrão reforça a responsabilidade compartilhada: “a gente espera do mundo, e o mundo espera de nós”. Não se trata apenas de uma crítica externa, mas de um convite à consciência pessoal. O mundo veloz existe porque o alimentamos com nossas escolhas, expectativas e silêncios.

Por fim, a pergunta repetida — “Será que é tempo que lhe falta pra perceber?” — revela a ironia trágica da canção. Falta-nos tempo justamente porque não sabemos mais usá-lo. Perdemos a capacidade de perceber o essencial enquanto acreditamos estar ganhando eficiência.

“Paciência” não é um apelo à inércia, mas à lucidez. A vida não para, é verdade. Justamente por isso, ela é rara. E tudo o que é raro exige cuidado, atenção e, sobretudo, tempo.

VÍDEO

Não desista no primeiro "Não"

Há pessoas que escutam um “não” e pronto: paralisam, desanimam, recuam. Mas a verdade é que ninguém constrói nada sólido fugindo da primeira barreira. O “não” não é o fim do caminho; muitas vezes, é apenas o teste inicial, aquele que separa os que realmente querem dos que só estavam curiosos com a ideia de vencer. Cada negativa traz uma oportunidade escondida: a chance de fortalecer a vontade, ajustar a rota e provar a si mesmo que o propósito é maior do que o obstáculo.

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