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Penso e Falo

Rayman Assunção

Quando só eu acredito, eu paro

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Olá!

Não me animo num projeto onde ninguém se anima por ele. E falo isso sem culpa, sem drama e sem pose de vítima. Projeto, para mim, não é vitrine pessoal nem palco de heroísmo solitário. Projeto é construção conjunta. É gente que puxa, empurra, sugere, corrige, cai e levanta junto. Quando isso não existe, algo essencial já morreu ali.

Eu até começo animado. Dou ideias, penso caminhos, enxergo possibilidades. Mas, com o tempo, fica claro quando só um acredita. Só um corre atrás. Só um cobra, organiza, insiste. E, sinceramente, caminhar sozinho tentando fazer um projeto crescer não é a minha praia. Não porque eu não seja capaz, mas porque não faz sentido. Projeto não é cruz pessoal para carregar nas costas enquanto os outros assistem.

Quando ninguém se anima, o recado é claro: o projeto não é prioridade. Pode até ser bonito no discurso, mas na prática ele está abandonado. E eu aprendi a levar a prática a sério. Se ninguém se mexe, se ninguém propõe, se ninguém se compromete, insistir vira teimosia — e teimosia cansa, desgasta e mata qualquer entusiasmo legítimo.

Não confundo isso com falta de perseverança. Perseverar é continuar quando há dificuldades, não quando há indiferença. A dificuldade une, a indiferença esvazia. Quando o ambiente é frio, quando o silêncio fala mais alto que qualquer plano, eu recuo. Não por fraqueza, mas por lucidez.

Também não acredito nessa romantização do “guerreiro solitário”. Isso pode até render frases bonitas, mas não constrói nada sólido. Projetos vivos precisam de energia compartilhada. Precisam de gente que se importe de verdade, que se envolva, que sinta o projeto como algo seu — não como um favor que está fazendo a alguém.

Se eu percebo que só eu estou puxando, eu paro, repenso e sigo adiante. Prefiro investir meu tempo, minha inteligência e minha energia onde há reciprocidade. Onde há esforço comum. Onde a chama não depende só de mim para não apagar.

No fundo, é simples: eu caminho melhor acompanhado. Não preciso de aplausos, mas preciso de compromisso. Não exijo perfeição, mas exijo vontade. Sem isso, qualquer projeto vira um fardo. E eu não fui feito para carregar fardos que nem sequer são reconhecidos como importantes.

Se ninguém se anima, eu não forço. Respeito o sinal e sigo outro caminho. Porque projeto bom é aquele que anda — e anda com mais de um empurrando na mesma direção.

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