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Penso e Falo

Rayman Assunção

Numa roda de amigos, não falo demais para não ser o chato

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Olá!

Numa roda de amigos, eu sempre escolho falar pouco. Não é timidez, nem falta de assunto. É opção. Com o tempo, aprendi que quem fala demais quase sempre cai no erro de virar aquele chato que ninguém aguenta por muito tempo. E, sinceramente, não quero ocupar esse lugar. Prefiro guardar minhas palavras para quando elas realmente servirem a algum propósito.

Quando estou com um grupo, observo mais do que falo. Presto atenção no jeito das pessoas, no tom das conversas, no clima que se forma. E só abro a boca quando sinto que tenho algo que vale a pena acrescentar. Pode parecer pouco para alguns, mas para mim é o suficiente. Palavra não é desperdício; é responsabilidade. Se eu falo por falar, acabo entrando no terreno do supérfluo, e o supérfluo abre espaço para a besteira — e disso eu quero distância.

Já vi muita conversa boa se perder porque alguém quis aparecer demais, quis mostrar conhecimento que não tinha, ou simplesmente não soube parar. A fala exagerada vira ruído, cansa, incomoda. E, pior, muitas vezes revela coisas que a pessoa não queria ter revelado. Por isso, prefiro o equilíbrio. Prefiro a medida certa. Prefiro o silêncio que constrói ao barulho que destrói.

Falar o necessário não me faz menos presente. Ao contrário: quando escolho minhas palavras, elas chegam com mais peso. As pessoas prestam atenção, porque sabem que, se eu falei, é porque considerei importante. E isso, no fim das contas, vale mais do que encher o ar de frases soltas só para preencher espaço.

Também acredito que a maturidade nos ensina a filtrar. Nem toda opinião precisa ser dita. Nem toda discordância precisa virar debate. Nem toda história precisa ser contada. Há momentos em que o melhor é só ouvir. E é impressionante quanto aprendemos quando paramos de querer monopolizar o diálogo e passamos a realmente escutar.

Não quero ser o chato que fala sem parar, que interrompe, que força risada, que tenta sempre ser o centro. Quero ser o amigo que soma, não o que desgasta. E, para isso, prefiro falar pouco, falar certo e falar no tempo certo.

No fim, descubro que quem domina a própria língua vive em paz. Porque saber calar é, muitas vezes, mais sábio do que saber discursar. E eu escolho essa sabedoria. Sempre.

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