top of page

Penso e Falo

Rayman Assunção

Não tolero que me digam como fazer o que já sei fazer

00:00 / 02:52

Ouça o texto

Olá!

Eu vou ser sincero: eu não tolero quando tentam me ensinar aquilo que eu já sei fazer. Parece que algumas pessoas têm uma necessidade quase automática de orientar, corrigir ou conduzir, mesmo sem saber se eu domino o assunto ou não. É aquela velha mania de “ensinar o padre a rezar a missa”. E, para mim, isso pesa. Não porque eu não aceite conselho — eu aceito, e até gosto quando vem na hora certa — mas porque existe um limite claro entre ajudar e se intrometer de forma soberba.

O que me incomoda não é o conselho em si, mas a postura. Tem gente que nem pergunta se eu já fiz aquilo antes. Nem pergunta se eu sei o caminho. Já chega dando aula, explicando o óbvio, falando como se estivesse iluminando um ignorante. E eu penso: “Será que custa perguntar primeiro? Será que é tão difícil antes saber se estou precisando mesmo de orientação?” Esse impulso de falar antes de ouvir me irrita porque revela um certo exibicionismo travestido de ajuda.

E, talvez, o que mais me incomode seja a falta de humildade por trás dessa atitude. Porque ajudar é bonito, mas ajudar com soberba é só vaidade disfarçada. É como se a pessoa estivesse menos preocupada com o meu resultado e mais preocupada em mostrar que sabe. E eu não tenho paciência para isso. Se eu sei fazer, deixem-me fazer. Se eu precisar de instrução, eu peço. Se eu tiver dúvida, eu pergunto. Mas impor ensinamento sem saber da minha bagagem é, para mim, uma falta de tato enorme.

Claro que eu não fecho meu coração para aprender. Ninguém cresce sozinho. Mas existe um jeito certo de oferecer orientação: primeiro ouvindo, depois perguntando, e só então falando. Eu valorizo quem age assim. Esses eu respeito, admiro e escuto. Agora, aquele tipo que chega ditando regra, sem contexto, sem humildade, sem noção… esses eu prefiro manter à distância. Não é orgulho, é simples respeito por aquilo que eu já sei e pelo caminho que já trilhei.

No fim das contas, eu acredito que cada pessoa merece que sua experiência seja reconhecida. E eu defendo isso para mim também: se eu já sei fazer, deixem-me seguir. Se eu errar, aprendo. Mas não me tratem como incapaz antes de saber quem eu sou e o que eu conheço. Isso, para mim, é linha que eu não cruzo — e que não deixo ninguém cruzar.

© 2025 by Rayman Assunção - Brazil - Restricted

bottom of page